Introdução, Parte II - Exôdo


Continuação...
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Os deuses ficaram olhando uns para os outros sem saber o que fazer. O caos tomou conta do Olimpo. Alguns berravam e brigavam, tentando arranjar um jeito de escapar deste amargo destino. Outros choravam. Alguns imploravam a Zeus que fizesse alguma coisa. Dionísio sequer acreditava no que estava acontecendo e ria do caos que tomava conta do Monte Olimpo. Athena permanecia em silêncio, pensando, planejando. Com seu olhar atento de coruja, foi a primeira a perceber a mudança e gritou:

- Calem a boca! Olhem a sua volta!

Os deuses então fizeram silêncio. E no silêncio puderam perceber, chocados, oque ocorria no Monte Olimpo. Aos poucos, tudo a sua volta estava desaparecendo.Uma bruma ia penetrando em todos os aposentos, em todos os cantos, todas as frestas. Quando a bruma se movia, eles percebiam que tudo tinha mudado. A bruma passou sobre uma mesa de festas, cheia de ambrosia e néctar e, quando saiu, simplesmente não havia mais mesa. Havia se tornado um tronco de árvore caído, com muitos galhos e algumas frutas em cima. Foi o maior silêncio da história do Olimpo. Com olhos arregalados e paralisados de medo, os deuses viram tudo o que era seu, desaparecer. Depois de alguns minutos atônitos, cada um correu para seus aposentos para tentar salvar o que podiam. Eles escondiam em trouxas e bolsos tudo o que podiam. Mas a bruma agia rápido. Em pouco tempo, estavam no cume de uma montanha comum. Coberta por uma floresta. Nada mais do suntuoso palácio existia.

Furioso, Zeus bateu com seu cetro numa rocha. Cada vez que ele batia um raio se formava no céu e se ouvia terríveis sons de trovoada. Logo uma grande tempestade caía do céu. Mas era tudo o que ele conseguia fazer. Não conseguia trazer o palácio de volta. Todos os deuses juntos tentaram usar seu poderes combinados para trazer de volta seu palácio. Nada conseguiram. Então Zeus, derrotado, falou aos seus súditos:

- Este é o dia mais infeliz da minha história. Nunca imaginei que tal dia pudesse existir quando conquistei o trono de Cronos. Não sou mais digno de reinar sobre vocês, já que não posso sequer garantir a nossa morada.

Atena, sempre a mais fria e calculista falou:

- As Moiras têm razão. Não podemos controlar nosso próprio destino. Não podemos mais sequer controlar o destino dos mortais. Só temos uma saída: devemos nos espalhar pelo mundo e novamente conquistar o coração dos homens. Não sei quanto tempo levaremos para reconquistar o que é nosso por direito. Mas não desistirei jamais de lutar.

Os deuses fizeram uma salva de palmas para apoiar as palavras de Atena. Ares então falou:

- Eu sou o Senhor da Guerra. Se os mortais não voltarem a nos adorar, verão conflitos nunca antes imaginados. O mundo inteiro entrará em guerra. Cidades inteiras desaparecerão em apenas um dia.

Afrodite discordou: - Não acho que este seja o caminho. O caminho para reconquistarmos os mortais é o do amor e a beleza. Devemos nos tornar tão belos e tão puros, que eles voltarão a nos amar.

- Não – disse Ártemis. – O caminho é a Natureza. Com a evolução da cultura, os homens se afastaram da Natureza. Temos que levá-los de volta aos animais, bosques e florestas. Assim eles voltarão a nos adorar e voltaremos a ter poder sobre eles.

Hefestos se pronunciou.  - Não, a única forma de trazê-los para junto de nósé a força. Devemos forjar armas nunca antes vistas. Com estas armas, os homens destruirão uns aos outros. No desespero que se seguirá, se voltarão para nós, nós então iremos salvá-los e voltaremos a ser fortes.

Hera era da opinião que o caminho era a política. - Devemos nos tornar líderes deles e depois obrigá-los a nos adorar.

Dionísio achava que deveriam fazer uma grande festa a base de muito vinho. Na embriaguez os mortais iriam voltar a acreditar neles. Deméter queria fazer várias alterações no clima, para tornar a agricultura mais difícil e fazer com que os mortais tivessem que recorrer aos deuses para ter comida. Não conseguiram chegar a um consenso. Cada um queria fazer uma coisa diferente, usando seus poderes. Ninguém era forte o bastante para convencer os outros a segui-lo. Desta forma, formaram-se várias facções. Athena, sempre mais esperta, percebeu que jamais chegariam a um denominador comum, e que, a partir de agora, cada um tinha que buscar o seu caminho. Mas tinham que permanecer unidos no propósito em comum. Então falou:

- Caros irmãos, jamais conseguiremos chegar a um acordo. Somos muito diferentes uns dos outros. Esta é a nossa fraqueza, e a nossa maior força. Então devemos nos dividir e cada um lutar com o que tem de melhor: nossa personalidade. Na primeira hora do primeiro dia de cada século, nos reuniremos aqui nesta montanha e discutiremos os progressos e estratégias de cada um para alcançar nosso objetivo. Espero que chegue logo o dia em que nos encontraremos neste local e não veremos mais apenas esta floresta e sim nosso palácio, com toda a nossa glória.

E assim, os Deuses se separaram, alguns em grupos, outros solitários, e todos olhando para trás, com uma esperança infantil de que tudo era uma brincadeira e a vida deles voltaria ao normal com as Moiras chegando pulando e gritando "SURPRESA!!!! FOI BRINCADEIRA!!!".

Infelizmente, isso não ocorreu...
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by Aline, Renata e Sandra

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